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Os Silêncios são muitos, mas não é sobre este Silêncio luxo desejado que escreverei aqui, mas sobre um silêncio doente:
No fundo, é um silênco pesado, constrangedor. Não é difícil encontrá-lo, seja no interior das famílias, seja nos ambientes de trabalho e até mesmo nas comunidades religiosas. Circula um ar irrespirável que destila olhares oblíquos, gestos subliminares e monossílabos envenenados. Desnecessário acrescentar que o monólogo solitário substitui o diálogo aberto e transparente. O ambiente, se e quando levado ao extremo, ameaça e asfixia, mutila e mata. O deserto permanece árido, o jardim infértil, o botão recusa abrir-se em flor; não se ouve o canto do pássaro, da água ou da criança. O clima se torna a tal ponto insuportável que é preciso caminhar na ponta dos pés. Silêncio desabitado, ou pior ainda, habitado de demônios malignos e agressivos.![]() |
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Mais do que verdadeiro silêncio, instala-se efetivamente um mutismo hostil, que inibe e castra qualquer iniciativa conjunta. Mesmo vivendo ou trabalhando sob um teto comum, o mutismo engendra cegueira e surdez. As pessoas tropeçam umas com as outras, mas não se veêm; falam de tudo e de todos, mas não escutam. Os raros "bom dia”, "boa tarde” ou "como vai?” – se os houver – soam falsos e impessoais. Em lugar de calor humano, predomina o formalismo vazio e uma míopia que distorce os fatos, desfigura os rostos, azeda as relações, amesquinha o espírito.
*foto bei:blogmura.com/
site.adital.com.br/

