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domingo, 30 de setembro de 2012

Qual é o pente que te penteia?

 "Ah, negra faceira!
Que tolice, minha negra,
[...]
que você tenha
espichado
seu cabelo.
Para que
essa beleza
artificial [?].
Ao começar defendendo a identidade negra e a valorização dos encantos inerentes a esta raça, Édison Carneiro antecipa-se a todos que viriam a exaltar as qualidades positivas do negro, a exemplo de Jorge Amado e de Dorival Caymmi, na sua própria geração, ou de Caetano Veloso, numa das gerações posteriores. Mas o poema perde a sua eficiência e se desvia do objetivo pretendido quando cede à piada de gostos duvidosos. Para censurar o fato da sua “negra faceira” ter transformado os cabelos em “ligas melenas”, isto é, em cabelos longos e soltos, ele cede a uma forma de humor corrosivo, senão depreciativo e desprovido de graça. Fazendo referência às estradas de ferro em construção na época, o jovem poeta Édison Carneiro arremata:
E você
bem que podia
concorrer
com o pixaim
para cercá-las
a farpas de arame.
A conclusão do poema, nada poética, sem dúvida, surpreenderia ao futuro leitor do habitualmente correto e atento etnólogo Édison Carneiro. Pode-se argumentar que, do mesmo modo que o irreverente compositor Gabriel, o Pensador, faz humor em “Loura burra”, o poeta modernista dos anos vinte estaria adotando similar efeito cômico. Mas, na perspectiva atual, quando se afirmam os valores de uma raça e de uma cultura anteriormente humilhadas pela escravidão e pela posterior condenação à desgraça econômica, qualquer sátira que permita ser usada como valoração negativa deve ser evitado, para não reforçar os preconceitos.
Não esqueçamos, porém, que o momento vivido por Édison Carneiro era outro e que o conceito persecutório do politicamente correto, útil por um lado e caricato por outro, ainda não ditava a conduta norte-americana, politicamente incorreta. Pulando do político para o poético, digamos, portanto, que não é poeticamente correto julgar um texto dos anos vinte numa perspectiva de quase um século depois.
Mas em compensação ao mau gosto (e ao arame farpado)..."

por Renato Suttana, aqui:
A Poesia de Édison Carneiro Redescoberta por GilFrancisco





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